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afterall

Tão presente

por maria sou, em 27.08.18

 

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Passou.

Não sabe porquê nem bem como. 

De repente, era passado.

E o tempo correu. Os anos passaram. Já quase a memória se apagara dessa lembrança e heis que surge do nada, como do nada se foi.

E estava tão vivo. 

De tudo o que se vê, de tudo o que se gosta, de tudo o que se muda, há tanto que fica igual e nem queremos mudar.

Nem nos apercebemos.

Até que vem sem querer e tudo o que se sentia, regressa igual ao que sempre foi.

Podia-se partir daí como se nada tivesse acontecdo, os anos passado e a vida decorrido.

Mas passou e correu.

Fica a certeza, porém, de que foi sincero e único.

Estava apenas no peito adormecido.

Por momentos breves, percorre-se todo um caminho de alegria, sonho e esperança. Memórias guardadas que agora são a história inacabada. O sorriso que vem do coração aos olhos.

Sabe-se que não há volta a dar.

Continuar é o caminho.

Numa fração de tempo, viaja uma década, talvez duas.

Ouve vozes, relembram-se falas e graças, situações pitorescas daquelas memórias. Lembranças tão distantes que afinal parece que foi apenas ontem,

Apreende-se o que não se partilhou.

Havia uma saudade guardada.

Agora sabe como e porquê volta a fazer passado.

O tempo correu e mais uma vez, não há espaço para esta história.

Adormece o coração contente por este vislumbre de algo que lhe foi tão querido.

E tudo o que parece importante em nada se compara e torna-se mínimo perante a força do que é natural,

No cheiro da terra seca, o álbum de um momento inigualável.

 

Maria Sou