Tão presente

Passou.
Não sabe porquê nem bem como.
De repente, era passado.
E o tempo correu. Os anos passaram. Já quase a memória se apagara dessa lembrança e heis que surge do nada, como do nada se foi.
E estava tão vivo.
De tudo o que se vê, de tudo o que se gosta, de tudo o que se muda, há tanto que fica igual e nem queremos mudar.
Nem nos apercebemos.
Até que vem sem querer e tudo o que se sentia, regressa igual ao que sempre foi.
Podia-se partir daí como se nada tivesse acontecdo, os anos passado e a vida decorrido.
Mas passou e correu.
Fica a certeza, porém, de que foi sincero e único.
Estava apenas no peito adormecido.
Por momentos breves, percorre-se todo um caminho de alegria, sonho e esperança. Memórias guardadas que agora são a história inacabada. O sorriso que vem do coração aos olhos.
Sabe-se que não há volta a dar.
Continuar é o caminho.
Numa fração de tempo, viaja uma década, talvez duas.
Ouve vozes, relembram-se falas e graças, situações pitorescas daquelas memórias. Lembranças tão distantes que afinal parece que foi apenas ontem,
Apreende-se o que não se partilhou.
Havia uma saudade guardada.
Agora sabe como e porquê volta a fazer passado.
O tempo correu e mais uma vez, não há espaço para esta história.
Adormece o coração contente por este vislumbre de algo que lhe foi tão querido.
E tudo o que parece importante em nada se compara e torna-se mínimo perante a força do que é natural,
No cheiro da terra seca, o álbum de um momento inigualável.
Maria Sou