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afterall

O Outono

por maria sou, em 25.10.17

 

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O outono vem, pela calada da noite, libertando a Terra do calor que a assolou durante o dia, num Verão tardio.

 

Chega confusa e deslocada.

As coisas já não são como eram dantes. 

Antigamente, chegava com pompa e circunstância.

Os dias a escurecerem pelo final da tarde, as chuvas que fustigavam de quando em quando a anunciar o fim do tempo estival e a convidar a uma roupagem adequada para o tempo incerto.

As andorinhas, cruzavam o céu outonal, a anunciar a chegada da estação que precedia o Inverno. E depois, entrava ela, trazendo ventos, chuvas, dias amenos a tender para o frio e noites muito frescas.

Era aguardada pelas populações, de guarda-chuvas na mão ou pelo menos, a postos no bengaleiro. Umas roupinhas de meia estação a tender para o quentinho e não como na Primavera, em que as roupas de meia estação,  tendiam para o fresquinho.

O pijama mais grosso, era também um sinal do tempo de Outono.

Tudo mudava. 

E à chegada dos dias mais carregados, as pessoas aconchegavam-se no sofá a bebericar um chá quente e a usufruir de momentos em família mais caseiros e aconchegantes. Mais para o fim da estação, com os olhares a fugirem de quando em quando, do écran da TV para a lareira ainda apagada, mas desejada.

Tudo mudou.

Hoje, o Outono chega com a insegurança de um intruso, de alguém que não foi convidado, mas que todos esperam. Entra, com a incerteza de quem não sabe bem qual será a receção. De quem não sabe, em que condições terá de desempenhar a sua função, ou se as poderá sequer exercer.

Vem cansada, pois chega a tempo, mas o tempo já não é igual e não sabe por quanto tempo se prolongará a sua estadia. Terá de se arrastar por corredores e gabinetes, até que finalmente seja chamada para entrar em ação. E quando é que isso acontecerá. Costuma desempenhar o seu cargo por três meses cada ano. Atualmente, já não respeitam a sua soberania, e exigem que chegue na data prevista, mas assuma funções muito mais tarde.

Não está a ficar mais nova. Impacienta-se com a morosidade do processo e a falta de empenho. 

Tingir as folhas de vermelho, antigamente, era tarefa para uma semana. Hoje em dia, pinta-se algumas hoje, outras amanhã e o processo arrasta-se por um mês inteiro, se necessário, numa tarefa sem canseira e monótona. Parece que está a empatar.

Mas chegou.

Sentada no trono do tempo moderno que a manda esperar até que nova data lhe seja atribuída para se apresentar. Por agora! Não sabem se será data a fixar ad eternum. Para o ano, pode ter de recomeçar na data habitual. 

Maria Sou

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