Novas prisões - novos comportamentos?

Li a notícia da construção de 5 novas prisões.
Para começar, espero que não se incluam naquelas obras megalómanas que nos lançaram outrora numa crise e dívida externa vergonhosa, mas sim, numa perspetiva futura de melhorar a vida dos prisioneiros,
Digo isto, porquê?
Sempre me fez impressão, aquele tipo de frases, proferidos vulgarmente até pelas autoridades e vastamente disseminadas em filmes: - "Com essa carinha bonita, vais ser a menina dos outros lá dentro." "Entrei por um crime menor, saí especialista na arte do crime."
Sendo o serviço prisional, um serviço que visa não só a reclusão e castigo do criminoso, mas a sua reabilitação para a sociedade, não deveria estar mais voltado para atividades constantes de aprendizagem por parte dos reclusos, quer através do ensino propriamente dito, quer na aprendizagem de artes que habilitem os reclusos a ingressar no mercado de trabalho quando saem?
Fala-se de violência extrema dentro das cadeias.
Bolas, se é assim dentro, porque não havia de o ser fora?
Como se justifica isso?
Não devia haver video vigilância em todas as zonas de forma a evitar que esse tipo de situações acontecessem?
Por lei, não pode haver câmaras em certos sítios, responderão os entendidos.
Se há perigo de os crimes ocorrerem, a lei tem de ser contornada.
As câmaras, podem não estar direcionadas para um plano geral, mas para uma porção que permita visualizar o que ocorre e em que condições, sem serem demasiado reveladoras.
Sinceramente, espero que o projeto de novas prisões vise uma maior liberdade de decisões comportamentais, que mostrem ao recluso o quanto é bom, viver em paz e lhe confiança para apostar numa vida diferente.
Foi notícia, recentemente, a violência de um guarda contra um prisioneiro, tentando exemplificar como se partia um pescoço.
Foi notícia, recentemente, a forma como polícias se dirigiram a um grupo de jovens belgas.
Sabemos que a exposição constante e quase exclusiva a comportamentos anormais, acaba por vencer pelo cansaço o mais piedoso dos santos, principalmente, se acompanhado de más influências.
O apoio psicológico semanal e constante dos trabalhadores expostos a constantes pressões no meio de trabalho, em que o seu papel moderador é importante e que poderá dar lugar a abuso de poider, também seria recomendável. Porque quem está a representar a ordem, seja na lei, no ensino, etc., tem de dar o exemplo, e não o mau exemplo. Mas não é de ferro, nem pode sozinho vencer todas as agressões de que também é vítima.
A apostar na sociedade mais saudável,
Maria Sou