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afterall

Museus e Monumentos

por maria sou, em 13.03.19

Fui visitar um dos mais belos monumentos.

Uma verdadeira joia arquitetónica. 

No entanto, tive de aguardar que a pessoa responsável pela abertura do referido edifício resolvesse aparecer e abrir a majestosa porta de madeira de intemporal beleza.

Quando chegou, já um grupo considerável de turistas partira. Esperaram quinze minutos, sentados ao sol, vinte, talvez. Aborrecidos, partiram agarrados aos livros de guia turístico que os tinham ali conduzido. Ali, aquele canto tão remoto que a maioria dos habitantes da cidade o desconhecem.

Entrei, também pela primeira vez, como os demais, e a respiração susteve-se no peito.

Poucos trabalhos se lhe igualam em pormenor e quantidade. Tanta arte num mesmo espaço a coabitar em harmonia, apesar da intensidade, completando-se e elevando-se em qualidade à altura e grandiosidade do edifício que a abriga no seu ventre.

Um edifício fechado. Só abre, se der, explicou o guia.

Só abre se der, um edifício que de manhã cedo os turistas procuraram por recomendação. Um edifício em vias de recuperação do interior e que necessita de todo o apoio financeiro que poder arrecadar.

Não sendo alvo de cobrança a entrada, a comparticipação dos visitantes é facultativa. 

Seria mesmo conveniente que as visitas pudessem ser feitas à hora anunciada, ao maior número de visitantes que pudessem contribuir para a recuperação de tão rica atração turística.

Quando por fim acedi ao interior, vi com espanto a porta a ser encerrada à minha passagem e só os turistas mais atrevidos é que rodaram o puxador e entraram, seguros da vontade que tinham de ali estar. Os outros, os que tinham aguardado sentados ao sol, em vão, não os voltei a ver. Mas estes, estes entraram delicadamente, pedindo licença e sorridentes, sem certeza de puderem deveras entrar. Nada indicava que o podiam fazer.

Se der, talvez alguém venha. Se der, talvez alguém ajude. Se não der, talvez tudo vá desvanecendo até se tornar tão esquecido como o canto da cidade que o alberga. Quem sabe até entre em ruína e daqui a uns anos, não passe de uns meros escombros a desfear a cidade.

Em defesa do patrimônio esquecido e entregue a quem não percebe as consequências da falta de zelo,

Maria Sou