Meu querido Porto

Meu querido Porto, já não e meu.
Reconheço-o e gosto de o rever no seu âmago, percorrer-lhe as entranhas, sempre que posso, mas já não encontro os laços.
Agora, entre as paredes que me são familiares, dos prédios.a renascerem, nesta recente busca do turismo, encontro mais memorias que interesses.
A loja da calça rasgada da moda, já não me atrai. Já encontrei o meu gosto próprio e até já perdi algum gosto e estou mais casual.
Mas, quando vou ao Porto, mais propriamente, `a baixa, revivo cá dentro um pouco do espírito que então nos imbuía.
Ir `a baixa, significava, ir com os pais ou só com a mãe, fazer as compras principais para a estação que se seguia. Sapatos, roupa, livros escolares. Parar num café a meio da manhã ou da tarde a beber um refrigerante e a comer um pastel. Cumprimentar o Sr. A da loja B, do qual éramos conhecidos desde sempre e até já conhecia os nossos gostos.
E os locais de peregrinação foram sendo preteridos uns aos outros, conforme as lojas com que me identificava iam desaparecendo.
Restou um armazém nos Lóios, onde a minha mãe comprava para mim e para a minha irmã, sobretudo roupa interior. Raramente lá ia, mas foi a última a desaparecer e tornara-se por isso, o mais recente ponto de visita ao passado. Aquela visita que nos faz reviver boas sensações e por momentos, recordamo-nos de nós mesmos e das bênçãos nas nossas vidas
Com o desaparecimento deste último establecimento, tal como o conheci, morre o Porto da minha infância.
Também íamos ao cinema: Trindade, Passos Manuel, Rivoli, Estúdio, Júlio Dinis, estes dois já em Costa Cabral, a ver Walt Disney, Gendarme, Os malucos, My fair Lady, musica no coração, etc. , etc., etc.
Ir `a baixa, era sinal de dia alegre em família.
Por isso, e' que o Porto que se reinventou em jovialidade e esplanadas, línguas de todas as partes e gentes de todas as nacionalidades, e' também um Porto de alegre saudade e memórias.
A amar o Porto
Maria Sou