Festas de S. João
Estará o Santo chateado com a brincadeira?

É que na verdade, fazemos uma grande festa depois de ele ter ficado sem a cabeça.
Pois é.
Desde a barriga da mãe, que anunciou a vinda daquele que um dia chegaria como o Messias, agitando-se-lhe no ventre à proximidade de Maria. Seguiu pela vida fora batizando em nome Dele e a quem pediu que o batizasse, quando por fim chegou.
Herodes, aquele que acusam de ter morto todos os primogénitos da área, (parece que foi mentira, só matou os próprios filhos e a mulher, com medo que fossem eles a matá-lo na mira do poder),prendeu S, João Baptista que anunciava a vinda de alguém mais poderoso que ele. A enteada, Salomé, furiosa por a sua afamada beleza não parecer exercer influência sobre o profeta, exigiu a cabeça deste numa bandeja em troca da dança dos véus, que o padrasto insistia que ela executasse durante uma festa. (Dança que consiste em retirar véus após véus, até à quase ou total nudez).
Relutante no início, resignado no fim uma vez que era a única maneira de conseguir ver a enteada exibir-se para seu próprio júbilo, Herodes ordenou que a vontade da jovem fosse cumprida.
Obviamente, que uma cabeça num corpo vivo é muito diferente de uma cabeça pousada numa bandeja, com olhos semiabertos e sem vida e boca contorcida pela dor que ainda reflete. Assim, a recompensa de Salomé não foi tão gratificante como julgou que seria, antes pelo contrário, foi repugnante e sem possibilidade de convencer a vítima do seu poder e da necessidade de se subjugar, já que pelos atributos físicos, não o conseguia.
Depois de um drama destes, será que o Santo vê com bons olhos a ideia do casamento?
Será que é por isso que tantos casamentos falham e os antigos "pombinhos" desatam a cortar cabeças em processos litigiosos de divórcio?
Não seria melhor arranjar outro Santo Casamenteiro? Este é capaz de estar um pouco ressabiado com as mulheres.
A festa de S. João, tão animada e divertida, carregada de alusões fálicas, (martelinho, alho porro), que terá mais a ver com o tipo de festividade pagã que celebrava o solstício de Verão, que com a celebração do santo que nem era casamenteiro mas realizava sim, batismos.
O que muita gente não sabe, é que a sua história deu origem a uma das mais belas óperas, Salomé, a 1ª que eu vi.
Desta vez, não foi a beleza da Salomé, mas da história ao redor da sua paixão pelo profeta, que me despertou a minha paixão pela ópera.
Teria por volta dos 9,10 anos e vi-a na televisão. Mais tarde, comecei a assistir ao vivo este tipo de espetáculos, o que confirmou e reforçou o meu apreço, pois ouvir uma interpretação desta força, quer a nivel de vozes quer de orquestra, é inigualável.
Espero um dia, poder rever ao vivo esta poderosa peça, com um bom elenco, excelente orquestra, apropriada sala de espetáculos, (porque o facto de um edifício ser um ex-libris da cidade ou projetado por um nome sonante da arquitetura Portuguesa, não é suficiente para fazer dele apropriado para ópera).
E aqui fica gostinho meu,
Maria Sou