Espero que chova

As nuvens cobrem o céu numa promessa velada de chuva, ainda assim, pouco densas para convencer que será verdade.
As pessoas olham o céu enegrecido, num negrume que se assemelha a um fim-de-tarde adiantado, mas que ainda está longe da chuva porque já se apela.
O céu promete, mas continua sem dar.
Nós queremos porque é preciso, mas longe dos focos onde o problema se faz sentir com gravidade, regalamo-nos sempre que o dia vem soalheiro e com uma temperatura quase primaveril.
No entanto, uma pontinha de preocupação já se instalou e faz-se sentir em todas as conversas: - "Bom dia!
- Bom dia!
- Mais um dia sem chuva!
- É verdade! E não se prevê que esteja para vir."
Quase que um enxerto de um texto de Júlio Dínis. Uma conversinha de pequena vila, à mesa do café mais próximo, onde todos se conhecem.
As nuvens vão-se desenrolado mais carregadas nuns pontos e espalhadas em pinceladas que se atenuam pelo céu.
De baixo, tentamos adivinhar, se vem ou não vem.
De cima, parecem desafiar, merecem ou não merecem?
O certo, é que às primeiras gotas de chuva, todas as preocupações e medos com a previsão de um futuro em que a água será um bem escasso, escorrerão pelas sargetas, arrastados com tudo o resto que a chuva levar na sua corrente e sorriremos felizes já a suspirar por dias mais agradáveis, vaticinando: - "São uns alarmistas. No fim, tudo se resolve!"
Maria Sou