Em resposta ás críticas a Judite de Sousa e sua reportagem junto a corpo de mulher carbonizado
Infelizmente, de toda a notícia, resta um facto difícil de aceitar, alguém morreu num incêndio
As notícias são cada vez mais sensacionalistas.
Quem aceita as condições, avança, quem não aceita, fica para trás.
A verdade é que na base desta resposta revoltada à reportagem, está a ,manifestação do cansaço que começamos a acusar pelo desrespeito que cria "self made men" e "self made women".
A verdade, é que estamos a ficar cansados de que ou vale tudo, ou não vales nada.
Não culpemos ninguém em particular, porque tem de ceder ás exigências do mercado se quer manter o emprego. Culpemos o sistema que diz: "Vai. Não importa mais nada. Faz notícia. Serve-te de tudo e de todos para nos dar audiências ou justificar o nosso sucesso, se te queres manter na linha da frente".
E para isso, nem sequer dão tempo para que chore o seu filho.
Quem tem para além dos dias de luto para chorar a morte de um filho?
A verdade é essa.
Estamos cansados de já não termos direito de dizer, eu estou triste, eu estou a sofrer, eu estou a chorar e a sangrar.
Depois de uma palmadinha nas costas, todos querem é que avancemos e não chateemos muito.
Judite de Sousa se for condenada por este de tipo protagonismo, será apenas uma testa de ferro para a ambição desmesurada e desrespeitosa de toda uma cadeia televisiva e noticiosa, sedenta de audiências e sensacionalismo.
Alguns, têm coragem de dizer menos é mais e pagar na vida por essa decisão. Outros, já perderam a noção do certo e do errado e julgam que heróis e parvos são sinónimos uns dos outros.
Não ceder á ostentação e ao despotismo inconsequente e psicótico, é um ato de heroísmo que se paga caro, não com a vida, mas no modo como se a vai viver a partir daí.
Se a minha dor foi ignorada e criticada, se calhar, o certo é fazê-lo também com a dor dos outros. Se calhar, até vou passar a achar natural. Ou, pelo contrário, sentir-me-ei mais próxima da tragédia e até nem me custa tanto ali estar, porque partilho de alguma cumplicidade para com a vítima?
E os valores se perdem em dores dissolvidas em exigências sem complacência.
Os tempos mudaram, mas não deixem que a clareza de análise se perca, fazendo o peão pagar pelo xeque maque no final do jogo.
Como é muito habitual dizer-se:"Por favor, não matem o mensageiro!"
Maria Sou