Ciúmes ou razão?

Olá,
E o confronto instalou-se. Ciúme vs Razão.
Alguns defendiam que quando a pessoa intervém para resolver uma situação que lhe é desconfortável, instala um período de amuo ou termina mesmo a relação, é ciúme. Outros, defendem que, não há ciúme, mas também razão conforme a situação que ocorre.
Eu cá acho que há ciúme e há razão que os outros gostam de justificar como tratando-se inflexivelmente de ciúme.
Se eu saio de casa para cumprir com as minhas obrigações diárias a pensar no que a outra pessoa estará a fazer, manifestando insegurança e incerteza quanto à fiabilidade do outro, mesmo que para tal não tenha motivos, é obviamente, ciúme, insegurança, e até falta de respeito para com o parceiro.
Se não deixo que haja tarefas extra relacionamento, como práticas desportivas, encontros ocasionais de velhos amigos, ir assistir a um espetáculo que o outro queira ver e que para nós seja um tédio, isto é, situações do tipo, se eu não vou, tu também não vais, é ciúme, é despotismos, é ser uma pedra no sapato.
Não considero ciúme, mas sim, razão, se perante comportamentos com os quais não nos identificamos e são reincidentes, preferimos terminar a relação. Um aviso, dois avisos, à terceira, não dá.
Não acho que se possa classificar de ciúme casos como, sair para ir comprar tabaco e voltar ao fim do dia, sem qualquer justificação, nem aviso de atraso.
Não acho que seja ciúme, se tivermos uma pessoa que capta toda a atenção do(a) parceiro(a) e quase só lhe falta sentar-se no colo dele(a), sem que o alvo dessa atenção, imponha um limite para o à-vontade do inoportuno.
Cada vez mais, há pessoas que agem como se o parceiro não estivesse presente ou tentam passar-lhe por cima.
Se quero estar bem na minha relação, tenho de fazer a inoportuna pessoa sentir-se desconfortável em certos avanços, bastando para isso, não lhe manifestar qualquer reação da minha parte. Se incentivo e correspondo ao mesmo tempo que ignoro aquele que de facto está numa relação comigo, obviamente, que o problema se instalará entre o casal. E para mim, não é ciúme, é o que é.
Por vezes, caímos na asneira de após termos manifestado polidamente, o nosso desagrado pela situação, passarmos a uma mensagem mais contundente. Pior ainda, é quando já aborrecidos por fazerem de nós parvos, mostramos que se quisermos podemos descer ao nível das pessoas, dizendo-lhes certas verdades e demonstrando que não estavamos a leste, estavamos apenas a dar tempo para que a outra pessoa quisesse o mesmo que nós. Se não quer, adeus.
Mas aí é que vem o momento difícil, é que a pessoa que não respeita nem faz com que respeitem, quando vê que o companheiro termina a relação, volta, pede desculpa, pede que tudo se resolva, que tudo foi um mal-entendido, que vai mudar. É automático.
Acabar com este tipo de relação a que se deu todo o tipo de oportunidades e na qual a única coisa que mudou, foi o terceiro elemento que ajudou a causar o mal-estar e tudo volta a ser como dantes, não é ciúme, é razão.
Quando a outra pessoa recebe constantemente chamadas que não pode atender na presença do parceiro, sai sem se saber bem onde vai. Não é ciúme, é muito estranho.
Quando a pessoa falta a compromissos, não é ciúme, é falta de respeito.
Quando a pessoa quer saber sempre onde estamos, com quem estamos e nos instaura um inquérito se tivermos saído da rotina, e duvida das respostas, não é ciúme, é insegurança doentia da outra parte.
Enfim, na minha opinião, ciúme é tudo o que se baseie em suposições infundadas. Com bases concretas, é apenas o resolver o que ainda pode resultar ou o que não tem qualquer hipótese. Não se deve é prolongar esses momentos ou depois tudo vai cair no mesmo e o que não é, também começa a ser visto como se fosse, e instala-se a amargura, a agressividade e o conflito.
Acho mesmo, que não há tanto ciúme como se pensa. Ha razões mal resolvidas.
Como dizia o Raúl Solnado, sejam felizes e não insistam no que não tem pernas para andar, e deixem livre quem o merece. Não inventem.
Maria Sou