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afterall

Alzheimer e afins e a volatilidade do conhecimento

por maria sou, em 10.09.17

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Há alguns dias, debatia-se na televisão se "estamos a criar filhos dependentes".

Temos tendência, à maneira de velhos do Restelo, de achar que a nova geração, não vale nada.

Convivo par a par com o profissionalismo, empenho, disponibilidade e espírito de camaradagem de muitos jovens que se destacam também pela sua educação.

Sempre houve pessoas inaptas para qualquer tipo de trabalho, apenas porque não estavam para se cansar. No tempo dos nossos avós e pais, numa escala muito menor, porque também a empregabilidade era muito superior e a mentalidade, educação e princípios, eram outros.

Deste pequeno resumo se vê que muito do problema da inércia de muitos jovens, parte da mentalidade que há em casa, mais do que das carências sociais. Protecionismo excessivo, por um lado, exemplos deploráveis, por outro, que partem frequentemente dos progenitores..

Mas, uma coisa que observo e que na minha leiga opinião acredito que pode ter grande influência na tendência para doenças do tipo Alzheimer e afins, é a volatilidade do conhecimento.

Diariamente, os interesses alteram-se. Desde aprendizagem ao desporto até aos pontos de socialmente de interesse. Tudo se renova, constantemente.

Diz-se que as profissões que menos são afetadas por esta doença, são aquelas que são dedicadas ao estudo: atores e incrivelmente, as freiras, porque têm longos períodos do dia dedicados ao estudo. Ao exercício do cérebro.

Embora, também estes aprendam novos assuntos o âmbito a que se dedicam é constante. 

A nível social, para além dos hábitos sociais serem cada vez mais perniciosos, como o abuso do álcool, (em que as pessoas tentam sentir uma euforia que não é real no quotidiano e por isso, buscam essa sensação sempre que podem, de forma a obedecerem a um estereótipo de pessoa de sucesso, demonstrando aquela alegria de quem está de bem com a vida), há também, a necessidade de se viver para o modo como somos vistos, através da aquisição de tudo o que é símbolo de poder económico e modernidade e atualidade: na moda (aquisição de marcas. Hoje veste-se marcas, não se veste bem), na tecnologia, nos hábitos recreativos, etc.
Mais do que nunca, vivemos para mostrar aos outros o que podemos ter e não tanto para aproveitar para ter o que de bom a liberdade nos abriu portas para poder fazer- o poder de escolher. Mais do que nunca, somos orientados pela ditadura - a do consumo, mais do que nunca "encarneiramos" uns atrás dos outros, qual rebanho bem guardado.
 
Essa aquisição constante de novas ideias e novos interesses, não impedirá que o cérebro se fixe em matérias específicas exercitando-se? Não será este interesse disperso, o início de um alheamento que torna o cérebro pouco focado?
 
Também um corpo que ora é exercitado num sítio e depois noutro, num exercício sem consistência nem periodicidade, pode-se ir mantendo relativamente em forma, mas nunca estará definido.
 
A expor as suas leigas dúvidas,
Maria Sou