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afterall

Acordão - Oráculo do Juíz Neto

por maria sou, em 27.10.17

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Sendo mulher, quase me sinto na obrigação de juntar o meu protesto!

Violência doméstica.

Ainda há sentenças ditadas por outros manuais que não os ditados pela jurisprudência?

Não é a violência doméstica que está mal. É a violência em geral. A violência doméstica, é a amostra do universo de violências por legislar ou indevidamente punidas, se não absolvidas.

Errado está quem pensa que estamos longe das diferenças etnicas, raciais, sexuais, religiosas e culturais de outrora. Estas apenas foram legisladas.

As leis que antigamente não existiam, hoje são frequentemente contornadas em casos isolados que convidam ao silêncio das vítimas com medo de retaliações.

Os ódios, borbulham em lume brando, num agitar quase inaudível, ansiando pelo momento em que os elementos se combinem, permitindo que a explosão contida ocorra, derramando livre e impunemente para o exterior.

Esses ódios são exatamente os mesmos que os ancestrais. Não conheço novos ódios.

Agora até fiquei curiosa? Há novas formas de ódio?

O acordão foge realmente a tudo o que se alcançou e o que o juíz teria de avaliar era o crime cometido de violência porque o adultério já não é crime há muito. Não estava na barra do tribunal, sequer.

No entanto, fica o meu parêntesis.

Sou contra atitudes machistas, mas sou muito mais contra, aquelas senhoras que se queixam da falta de participação dos maridos na vida quotidiana do casal mas, educam os filhos rapazes para serem exatamente como os maridos que criticam, e educam as filhas, para serem um prolongar das suas queixas, porque embora ripostando, fazem-nas  cumprir com as tarefas próprias "das mulheres".

São estas mulheres, que falam de "cima da burra" na rua, mas em casa, fazem a cama do filho, ou mandam a filha fazê-la; cozinham as refeições aos meninos com a ajuda das filhas, porque eles "não sabem, nem lhes compete"; passam as roupas aos meninos, ou mandam as irmãs passá-las, porque os rapazes náo têm jeito nenhum para essas tarefas; como dizia, são estas mulheres que alimentam o machismo que se esconde e disfarça em risinhos velhacos de solidariedade. 

De casa, deve partir o exemplo de respeito pelas pessoas, como pessoas, sem pensar no género. E uma forma de respeito, é aceitar que nem sempre as relações são felizes, podem ter de terminar, por vontade de ambos ou só de um. Paciência. Acontece. Trair, também nunca é o melhor caminho. Ser sincero e partir para outra de vez, é o ideal.

Se todo o estado emotivo servisse de desculpa para o crime, qualquer criminoso terá uma boa razão para os crimes que pratica. A falta de ambiente familiar, a perda de alguém que lhe era querido, e por aí fora. E no caso desta senhora, não foi um, foram dois quem a atacou. Estavam os dois, do mesmo modo, emotivamente toldados? 

Contra o machismo, ser mulher.

Maria Sou