A terapia de sonhar - Anthony Bourdain e afins

Mais um.
Mais um que sai uma paragem antes e termina com a vida antes da data marcada.
Anthony Bourdain, uma cara conhecida de quem apreciava programas de culinária, abre a porta à reflexão, como já Robin Williams, antes dele o fizera.
Perguntamo-nos, como é que pessoas que parecem ter tudo e atingiram picos invejáveis nas carreiras que abraçaram, que são amadas e admiradas, por vezes, com excelente figura, de repente se queixam de solidão, de insatisfação, sei lá que mais.
Uma mansão em Sunset Boulevard não resolve uma depressão? O último modelo da Ferrari ou da Aston Martin? Bentley? Um iate na marinha, também não? Uma viagem à volta do mundo no jato privado? Nada?
Sim. Talvez seja isso que falta. Talvez que sonhar com algo sem puder ter, seja o segredo da felicidade.
E porque é que a resposta tem de ser tão linear? Há razões que só quem as tem as conhece e nós castradoramente, metemos tudo no mesmo saco.
Mas partindo do principio que há uma insatisfação dentro da satisfação quase plena, faço minhas as palavras da autora Xandra Lisco no seu facebook:
A TERAPIA DO SONHO
O tempo não tinha horas
Imensurável liberdade
A aurora na noite escura
O ócio à claridade.
Epiteto da beleza pura
A alguns olhos que viam
(Que beleza se obscura
Se as opiniões não partilham).
Sai veloz a correr,
Sem pressa, pelo prazer
De kms galgar,
Com vento a espadanar
Entre o afã, o lazer.
O eterno sorriso velava
O que o olhar não cansava
De buscar sem saber onde,
Sem nem saber bem o quê,
Descanso para uma vontade
Que por nada encontrava,
A sua saciedade.
E passando onde a esperança
Não tinha porque ficar
Surgiu-lhe em toda a pujança
Linda de se invejar.
Na leveza do seu porte
Trazia como uma sorte
Que nada pode comprar:
“A alegria de sonhar”.
Xandra Lisco
P/ Maria Sou