Ainda há escritores?

Frequentemente se diz: " Hoje em dia, qualquer pessoa escreve."
A possibilidade de que goza o mais comum dos cidadãos de ver publicado um texto seu, é o resultado de uma conquista por que tanto se lutou. A liberdade de nos expressarmos.
Temos o exemplo de José Saramago, um autor que apesar da reduzida formação académica, soube construir textos riquíssimos e histórias coerentes, resultantes de profundas análises sobre o tema.
Boas ideias e bela escrita, podem ter origem na aparentemente, mais comum das mentes.
Só o publico é que pode decidir o que prefere ler e que de que autores gosta mais.
Atualmente, debatemo-nos com um tão vasto leque de ofertas, que quase se torna difícil saber por qual optar. Acabamos por seguir os mais badalados e mais divulgados pelos media.
Mas a pergunta que se coloca é: - Ainda há escritores?
Há livros interessantíssimos. Daniel Silva, Ken Follett, José Rodrigues dos Santos, Dan Brown...
Com eles lemos e aprendemos. Relatos romanceados da história. Narrativas protagonizadas de acontecimentos verídicos.
Mas aquele texto construído de fio a pavio, com o cuidado de cativar o interesse, e pela magia das palavras, lançar o leitor da mais alta realidade para o abismo do literário da ficção e do tema, com ele se consolidando, perdendo identidade e se envolvendo de uma nova história que não sendo a sua, também dela já não se pode afastar.
As realidades mundanas de Balzac, familiares e políticas de Tolstoi, sociais, familiares e políticas de Júlio Diniz, espirituais e socias de Vitor Hugo, pintadas nas mais ricas cores da suprema linguagem escrita.
Porque escrever não é contar, narrar, noticiar, relatar com pormenores. Escrever, é criar para além do tema, o cenário e convidar a entrar, a fazer parte. Fazer ferver, fazer temer, prender a respiração, soltar o suspiro, rir e chorar, porque tudo se nos torna tão próximo. Enlevar com as palavras a ficção à realidade.
Escrever, é criar. Tudo o resto é narrar.
A rever velhos temas e autores,
Maria Sou