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afterall

A cor das notícias

por maria sou, em 25.09.18

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A notícia informa sobre um acontecimento. A forma como é redigida, pode conotá-la de tons e milhentas intenções que nos influenciam inconscientemente.

Como tantas outras vezes, partilharam comigo no facebook que a uma mulher negra ou preta, não sei como é correto dizer, para mim , mulher/homem chega, foi recusado em tribunal um recurso e que o juiz a seguiu para fora da sala de audiências e agrediu com bastante violência.

O juiz foi posteriormente condenado em tribunal.

O que é que falta nesta notícia? Tudo. 

O que levou o juíz a persegui-la e a agredi-la? Teria-o ela insultado ou à mãe dele tocando-lhe um ponto sensível, num momento, se calhar, ainda mais sensível? Atacou-a por ser racista, ou porque não se controla seja com quem for, resultando nestes comportamentos inadequados a qualquer um, quanto mais na posição que ocupa? Foi condenado por violência e racismo ou por violência só o racismo nunca esteve presente?

O que tem a mais esta notícia? A cor da senhora.

Se formos desconstruir a notícia, podemos encontrar aqui uma intenção subjacente de nos conduzir perniciosamente a achar que os pretos são vítimas e desprovidos de poder que lhes confere o direito de serem tratados como iguais precisando de ser defendidos em praça pública pela moral e bons costumes. Um: "há quem maltrate este tipo de gente, este tipo de gente pode ser maltratada". Está assim a ideia de segregação racial lançada na mente dos incautos e deste modo enganoso vai sendo reforçada.

Todo o texto nos remete para ter pena da senhora porque como preta está sujeita a estas situações e não para o ato indecoroso em si, seja de quem for e para quem for. De juízes, de médicos, de técnicios de limpeza, de um estudante, de uma pessoa comum, para com qualquer que seja o ser sensível, pessoa ou animal.

Injustiças iguais acontecem a todas as raças. O problema não está em a quem aconteceu, mas que aconteceram.

E a injustiça, essa... não tem cor.

Maria Sou

 

 

 

 

 

Stradivarius - e os disparates da comunicação

por maria sou, em 03.09.18

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Quantas pessoas sabem o que é um Stradivarius?

É do conhecimento geral que um Stradivarius é um tipo específico de violino que se caracteriza pela pureza do som devido aos materiais com que é construído, principalmente, o tipo de madeira. 

São raros, valem fortunas e devem o seu nome ao seu criador, Stradivarius.

A importância do ensino, é avançarmos no conhecimento. Insisto, partir do que já se sabe para o que é novo. Não vamos descobrir o alfabeto para escrever de um modo mais criativo.

Do mesmo modo, quando um tradutor coloca legendas num filme, deve ser supervisionado por alguém mais apto a fim de evitar que os meios de informação passem a meios de desinformação.

Durante um episódio da série "Midsommer Murders", a tradução para português de Stradivarius fez-se continuamente como estradivarius. O nome é invariável (e até nem tem plural, embora gostemos de fazer a variação do nome em número, quando na verdade o nome é invariável. Pedro é sempre Pedro, quer seja um quer sejam dois). 

Prosseguindo.

Pior do que alguém não saber o que significa Stradivarius em inglês e fazer a tradução sem se preocupar em investigar, é ter passado no crivo

O que é estradivarios? Um verbo? Eu estradivario, tu estradivarias, ele estradivaria. Onde estradivarias tu? Numa orquestra.

Daí a minha crítica, quer à forma como se apropriam de nomes de trabalhos anteriores, tirando relevância ás obras mais antigas e toda a informação e qualidade que possam ter, que contribua para a instrução dos demais, bem como, à falta de supervisão ou de qualidade da mesma.

Quando vejo erros tão graves como este, que tocam o ridículo, pergunto-me se o interesse no que se produz chegou ao nível: "Manda o que tens que marcha tudo."

Desacreditada do empenho de se produzir com qualidade,

Maria Sou