A cor das notícias

A notícia informa sobre um acontecimento. A forma como é redigida, pode conotá-la de tons e milhentas intenções que nos influenciam inconscientemente.
Como tantas outras vezes, partilharam comigo no facebook que a uma mulher negra ou preta, não sei como é correto dizer, para mim , mulher/homem chega, foi recusado em tribunal um recurso e que o juiz a seguiu para fora da sala de audiências e agrediu com bastante violência.
O juiz foi posteriormente condenado em tribunal.
O que é que falta nesta notícia? Tudo.
O que levou o juíz a persegui-la e a agredi-la? Teria-o ela insultado ou à mãe dele tocando-lhe um ponto sensível, num momento, se calhar, ainda mais sensível? Atacou-a por ser racista, ou porque não se controla seja com quem for, resultando nestes comportamentos inadequados a qualquer um, quanto mais na posição que ocupa? Foi condenado por violência e racismo ou por violência só o racismo nunca esteve presente?
O que tem a mais esta notícia? A cor da senhora.
Se formos desconstruir a notícia, podemos encontrar aqui uma intenção subjacente de nos conduzir perniciosamente a achar que os pretos são vítimas e desprovidos de poder que lhes confere o direito de serem tratados como iguais precisando de ser defendidos em praça pública pela moral e bons costumes. Um: "há quem maltrate este tipo de gente, este tipo de gente pode ser maltratada". Está assim a ideia de segregação racial lançada na mente dos incautos e deste modo enganoso vai sendo reforçada.
Todo o texto nos remete para ter pena da senhora porque como preta está sujeita a estas situações e não para o ato indecoroso em si, seja de quem for e para quem for. De juízes, de médicos, de técnicios de limpeza, de um estudante, de uma pessoa comum, para com qualquer que seja o ser sensível, pessoa ou animal.
Injustiças iguais acontecem a todas as raças. O problema não está em a quem aconteceu, mas que aconteceram.
E a injustiça, essa... não tem cor.
Maria Sou
