E o tempo correu. Os anos passaram. Já quase a memória se apagara dessa lembrança e heis que surge do nada, como do nada se foi.
E estava tão vivo.
De tudo o que se vê, de tudo o que se gosta, de tudo o que se muda, há tanto que fica igual e nem queremos mudar.
Nem nos apercebemos.
Até que vem sem querer e tudo o que se sentia, regressa igual ao que sempre foi.
Podia-se partir daí como se nada tivesse acontecdo, os anos passado e a vida decorrido.
Mas passou e correu.
Fica a certeza, porém, de que foi sincero e único.
Estava apenas no peito adormecido.
Por momentos breves, percorre-se todo um caminho de alegria, sonho e esperança. Memórias guardadas que agora são a história inacabada. O sorriso que vem do coração aos olhos.
Sabe-se que não há volta a dar.
Continuar é o caminho.
Numa fração de tempo, viaja uma década, talvez duas.
Ouve vozes, relembram-se falas e graças, situações pitorescas daquelas memórias. Lembranças tão distantes que afinal parece que foi apenas ontem,
Apreende-se o que não se partilhou.
Havia uma saudade guardada.
Agora sabe como e porquê volta a fazer passado.
O tempo correu e mais uma vez, não há espaço para esta história.
Adormece o coração contente por este vislumbre de algo que lhe foi tão querido.
E tudo o que parece importante em nada se compara e torna-se mínimo perante a força do que é natural,
No cheiro da terra seca, o álbum de um momento inigualável.
Em conversa, levantou-se a questão intemporal, mas tão fora de época, da variação da data de celebração da Páscoa.
É vulgar associar-se a Páscoa à morte de Cristo e achar que a primeira está subordinada à segunda.
Não tem nada a ver.
O julgamento de Cristo foi contra todas as regras da Igreja Romana, porque durante a PÁSCOA não podia haver julgamentos. Já se fala aqui em Páscoa.
A Páscoa é um conceito tão anterior que foi instituída quase no início do Antigo Testamento, quando Moisés conseguiu a libertação dos judeus do jugo egípcio.
Sempre que o Faraó não aceitava libertar os judeus para irem ao deserto adorar o seu Deus, Este enviava uma praga. A úlitma e décima, foi a morte de todo o primogénito, entre os quais o filho do próprio Faraó.
Apenas os primogénitos judeus foram poupados e isto porque Deus mandou que ao décimo dia após a lua de Março/Abril escolhessem um cordeiro ou cabrito macho e perfeito e o sacrificassem ao 14º dia o assassem e comessem ao fim do dia. O sangue do animal, por sua vez, seria usado para pintarem as portas e ombreiras para que a morte reconhecesse aquela casa como do povo eleito e passasse sem ceifar a vida do filho mais velho da casa.
Na dor da perda do seu primeiro filho, o Faraó permitiu a partida dos Judeus.
Ficou estabelecida a Páscoa com a celebração anual, no primeiro mês do ano, o mês da lua Março/Abril .- Abib ou Nissan para os Babilónios - da libertação do povo judeu.
Há uma expressão inglesa que sintetiza bem esta ideia: Passover , passa adiante.
Em todo este trecho da história se vê o Passover. Não só na travessia do Mar Vermelho, em que passaram adiante os judeus, mas não os seus perseguidores, (momento a que é associada a expressão), mas também a morte passou adiante do povo de Israel, sem o afetar.
E assim fica explicada a oscilação da data de celebração da Páscoa.
Não é Páscoa para celebrar a morte e ressurreição de Cristo, mas sim, Cristo morreu na Páscoa quando decorriam as cerimónias religiosas de libertação do povo judeu.
Por coincidência, nessa mesma data, será Deus quem oferece o seu próprio cordeiro para que nós sejamos livres de pecado. Deus sacrifica o seu cordeiro, o seu filho, Cristo.