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afterall

O Milhão

por maria sou, em 30.10.17

Raramente jogo no euromilhões.

Noutro dia, fi-lo.

Surpreendi-me com o facto de ficar habilitada ao sorteio do milhão. 

Milhão, um jogo adicional a que ficamos automaticamente habilitados ao jogar no euromilhões.

Não é bem assim. 

O milhão, é um jogo que eu sou obrigada a jogar quando jogo no euromilhões. Para tal, tenho de pagar mais 50 cêntimos do meu bolso. 

Tendo em vista que reverte para uma instituição de caridade, até não me parece muito mal. O que me questiono, é se o valor amealhado dessa forma por todo o país, não devia também ser percentualmente ou por qualquer cálculo semelhante, repartido pelas instituições congéneres do resto do país, em vez de ser aplicado num só local que detém o direito do jogo e que aplica os resultados obtidos como bem lhe apraz.

Na verdade, o que eu acho, é que com o meu dinheiro, jogo no que quiser e não tenho que ser, por arrasto, obrigada a jogar em mais nada e ainda por cima, pagar para isso, principalmente se não concordo com o critério de apropriação dos resultados.

Maria Sou

Acordão - Oráculo do Juíz Neto

por maria sou, em 27.10.17

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Sendo mulher, quase me sinto na obrigação de juntar o meu protesto!

Violência doméstica.

Ainda há sentenças ditadas por outros manuais que não os ditados pela jurisprudência?

Não é a violência doméstica que está mal. É a violência em geral. A violência doméstica, é a amostra do universo de violências por legislar ou indevidamente punidas, se não absolvidas.

Errado está quem pensa que estamos longe das diferenças etnicas, raciais, sexuais, religiosas e culturais de outrora. Estas apenas foram legisladas.

As leis que antigamente não existiam, hoje são frequentemente contornadas em casos isolados que convidam ao silêncio das vítimas com medo de retaliações.

Os ódios, borbulham em lume brando, num agitar quase inaudível, ansiando pelo momento em que os elementos se combinem, permitindo que a explosão contida ocorra, derramando livre e impunemente para o exterior.

Esses ódios são exatamente os mesmos que os ancestrais. Não conheço novos ódios.

Agora até fiquei curiosa? Há novas formas de ódio?

O acordão foge realmente a tudo o que se alcançou e o que o juíz teria de avaliar era o crime cometido de violência porque o adultério já não é crime há muito. Não estava na barra do tribunal, sequer.

No entanto, fica o meu parêntesis.

Sou contra atitudes machistas, mas sou muito mais contra, aquelas senhoras que se queixam da falta de participação dos maridos na vida quotidiana do casal mas, educam os filhos rapazes para serem exatamente como os maridos que criticam, e educam as filhas, para serem um prolongar das suas queixas, porque embora ripostando, fazem-nas  cumprir com as tarefas próprias "das mulheres".

São estas mulheres, que falam de "cima da burra" na rua, mas em casa, fazem a cama do filho, ou mandam a filha fazê-la; cozinham as refeições aos meninos com a ajuda das filhas, porque eles "não sabem, nem lhes compete"; passam as roupas aos meninos, ou mandam as irmãs passá-las, porque os rapazes náo têm jeito nenhum para essas tarefas; como dizia, são estas mulheres que alimentam o machismo que se esconde e disfarça em risinhos velhacos de solidariedade. 

De casa, deve partir o exemplo de respeito pelas pessoas, como pessoas, sem pensar no género. E uma forma de respeito, é aceitar que nem sempre as relações são felizes, podem ter de terminar, por vontade de ambos ou só de um. Paciência. Acontece. Trair, também nunca é o melhor caminho. Ser sincero e partir para outra de vez, é o ideal.

Se todo o estado emotivo servisse de desculpa para o crime, qualquer criminoso terá uma boa razão para os crimes que pratica. A falta de ambiente familiar, a perda de alguém que lhe era querido, e por aí fora. E no caso desta senhora, não foi um, foram dois quem a atacou. Estavam os dois, do mesmo modo, emotivamente toldados? 

Contra o machismo, ser mulher.

Maria Sou

 

 

 

 

 

 

 

O Outono

por maria sou, em 25.10.17

 

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O outono vem, pela calada da noite, libertando a Terra do calor que a assolou durante o dia, num Verão tardio.

 

Chega confusa e deslocada.

As coisas já não são como eram dantes. 

Antigamente, chegava com pompa e circunstância.

Os dias a escurecerem pelo final da tarde, as chuvas que fustigavam de quando em quando a anunciar o fim do tempo estival e a convidar a uma roupagem adequada para o tempo incerto.

As andorinhas, cruzavam o céu outonal, a anunciar a chegada da estação que precedia o Inverno. E depois, entrava ela, trazendo ventos, chuvas, dias amenos a tender para o frio e noites muito frescas.

Era aguardada pelas populações, de guarda-chuvas na mão ou pelo menos, a postos no bengaleiro. Umas roupinhas de meia estação a tender para o quentinho e não como na Primavera, em que as roupas de meia estação,  tendiam para o fresquinho.

O pijama mais grosso, era também um sinal do tempo de Outono.

Tudo mudava. 

E à chegada dos dias mais carregados, as pessoas aconchegavam-se no sofá a bebericar um chá quente e a usufruir de momentos em família mais caseiros e aconchegantes. Mais para o fim da estação, com os olhares a fugirem de quando em quando, do écran da TV para a lareira ainda apagada, mas desejada.

Tudo mudou.

Hoje, o Outono chega com a insegurança de um intruso, de alguém que não foi convidado, mas que todos esperam. Entra, com a incerteza de quem não sabe bem qual será a receção. De quem não sabe, em que condições terá de desempenhar a sua função, ou se as poderá sequer exercer.

Vem cansada, pois chega a tempo, mas o tempo já não é igual e não sabe por quanto tempo se prolongará a sua estadia. Terá de se arrastar por corredores e gabinetes, até que finalmente seja chamada para entrar em ação. E quando é que isso acontecerá. Costuma desempenhar o seu cargo por três meses cada ano. Atualmente, já não respeitam a sua soberania, e exigem que chegue na data prevista, mas assuma funções muito mais tarde.

Não está a ficar mais nova. Impacienta-se com a morosidade do processo e a falta de empenho. 

Tingir as folhas de vermelho, antigamente, era tarefa para uma semana. Hoje em dia, pinta-se algumas hoje, outras amanhã e o processo arrasta-se por um mês inteiro, se necessário, numa tarefa sem canseira e monótona. Parece que está a empatar.

Mas chegou.

Sentada no trono do tempo moderno que a manda esperar até que nova data lhe seja atribuída para se apresentar. Por agora! Não sabem se será data a fixar ad eternum. Para o ano, pode ter de recomeçar na data habitual. 

Maria Sou

Avancemos ... o espaço é o limite

por maria sou, em 23.10.17

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 O modelo comercial de transporte de passageiros para o espaço, já está construído.

Já alguns privilegiados, fizeram o seu voo ao espaço. Não neste modelo, a SapceShip Two, mas nos voos habituais dos astronautas.

Daqui a alguns anos, talvez a Virgin Galatic esteja preparada para nos colocar no espaço.

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 Teremos então de nos dirigir ao Novo México à base espacial da Virgin Galatic, para embarcar.

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Base de lançamento.

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O hangar da VirginGalatic. 

 

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 Varanda panorâmica do hangar.

Infelizmente, não consigo passar para o computador a bela paisagem envolvente.

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A nave spaceship two. Em desenvolvimento.

 

Este espaço, paga um milhão de dólares de renda por ano, sem estar a ser utilizada. O problema é que a população com os seus impostos, contribui com 500 mil dólares por ano para que este espaço sem utilidade à vista se sustente e se comece a pagar por si próprio.

Estarão os responsáveis pelos dinheiros públicos a perder a noção da realidade e a enveredar pela fantasia de meninos?

É como construir uma cidade, num sitio inabitável, só porque achamos que os edifícios planeados são muito bonitos.

Que um particular sonhe e gaste o seu próprio dinheiro, não me incomoda, mas o dinheiro do erário público?

E assim vai o mundo.

Espero ser convidada para um voo, já que o preço a pagar estará fora do meu alcance.

Com o olho em Marte,

Maria Sou 

Incêndios - Parte II

por maria sou, em 16.10.17

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Se fosse lírico, seria uma opereta. Em menos de 3 atos, o país, queimado.

Abria o computador, precisamente para me manifestar sobre os incêndios que têm ocorrido, quando me deparo com o blog com o título que resume a situação numa só frase: "Portugal a arder."

O que me levou a querer manifestar-me perante este assunto, ao qual fujo na minha impotência para ser parte da solução? A frase: "Não é momento de demissões, mas de ação."

Ação? Já está tudo queimado! Já pouca ação é possível, podem passar às demissões, afinal.

Quem sabe, então, certas pessoas vão gozar as férias que se não gozaram, deviam-no ter feito, porque talvez por cansaço, não conseguiram estar à altura. Mas, lá vai o tempo em que as pessoas sabiam o significado da palavra "honra". Hoje em dia, honra, é apenas, uma boa anedota.

- Honra! - e todos riem. 

Os meus sentimentos às vítimas materiais dos incêndios e aos familiares das vítimas mortais. 

Lamentavelmente, as pessoas cumprem com as suas obrigações, estruturam as suas vidas, sem ilusões. Mas, há sempre os Neros megalómanos que acham que são só, "Cristãos!" e, fogo em cima.

Peço desculpa a essas mesmas vítimas, pela minha cobardia de assistir às imagens horríveis de sofrimento e inferno. Talvez, pudesse ter contribuído com uma simples prece contra a iniquidade e insanidade humana.

Não o fiz. Escondi a cabeça, não debaixo do cobertor, mas em canais de entretenimento que nada tinham para oferecer de novo ou interessante, sem ilusões contra o poder da loucura.

Zaping to go to sleep so bored!

Enfim! No meio desta imensa tristeza de perdas enormes da RIQUEZA do país, (porque nada é mais valioso que a terra- vegetação e não esqueçamos a não mencionada, mas muito importante, fauna), adicionando, as terriveis perdas humanas, por vontade da insana mente de alguém, só me resta esperar que se tomem as medidas que se impõem, doa a quem doer. E já vai tarde!

Se procurarem na Internet, lá encontram várias instituições para doentes mentais.

 

Solidária e nem sei porquê, desiludida,

 

Maria Sou

 

Madonna - Why can not she find a house in Lisbon?

por maria sou, em 12.10.17

 

Grace Kelly num golpe publicitário, casou com o príncipe Alberto do Mónaco.

(A primeira escolha, tinha sido Marilyn Monroe. Enquanto pensava, a loira perdeu o casamento para a lindíssima Grace Kelly, musa da câmara de Hichcock. Resolveu pensar, se calhar, da única vez que não o deveria ter feito)

Não temos principe, nem principado, e pelos vistos, nem casa para prender Madona, que se lança ao vento, montada quiçá nos nossos cavalos Lusitanos, que já fizeram as delícias da Bo Derek.

A Deusa da Pop, procura, procura e não encontra.

Não encontra casa? Claro que há sempre uma casa que preenche o nosso imaginário. 

Mas não há casa nenhuma que nos sirva, se não estiver incluída num determinado ambiance.

Para uma mulher que vive no país mais desenvolvido do mundo, num meio livre e criativo, numa terra, não é numa rua, repito, numa terra, em que as fortunas se multiplicam a cada porta que se passa, porque esses são os seus vizinhos, vir para o meio de uma cidade, de beleza inegável, mas sobretudo, trabalhadora das 9 às 17h e familiar...deve ter tudo a ver com ela e a sua vivência.

Demais a mais, lembremo-nos que esta mulher venceu, confrontando tudo e todos, valores e princípios. Não estará propriamente em busca de uma sociedade de sorrisos e falinhas mansas em que se tente integrar. 

Aguardo paciente e curiosamente pelo desfecho deste episódio, certa que Madona não me desiludirá e num jeito que é só seu, mandará tudo às urtigas e descarregará o cansaço e o tédio num novo álbum controverso.

Maria Sou

Escreviam assim

por maria sou, em 02.10.17

"Amarga, amarga a sua alegria e cheia de estranha alegria a sua dor." 

Oscar Wilde in "O pescador e a sua alma"

 

"As culpas coletivas a niguém pesa." 

Honoré de Balzac in "Ilusões Perdidas"

Novas prisões - novos comportamentos?

por maria sou, em 02.10.17

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Li a notícia da construção de 5 novas prisões.

Para começar, espero que não se incluam naquelas obras megalómanas que nos lançaram outrora numa crise e dívida externa vergonhosa, mas sim, numa perspetiva futura de melhorar a vida dos prisioneiros,

Digo isto, porquê? 

Sempre me fez impressão, aquele tipo de frases, proferidos vulgarmente até pelas autoridades e vastamente disseminadas em filmes: - "Com essa carinha bonita, vais ser a menina dos outros lá dentro." "Entrei por um crime menor, saí especialista na arte do crime."

Sendo o serviço prisional, um serviço que visa não só a reclusão e castigo do criminoso, mas a sua reabilitação para a sociedade, não deveria estar mais voltado para atividades constantes de aprendizagem por parte dos reclusos, quer através do ensino propriamente dito, quer na aprendizagem de artes que habilitem os reclusos a ingressar no mercado de trabalho quando saem?

Fala-se de violência extrema dentro das cadeias.

Bolas, se é assim dentro, porque não havia de o ser fora? 

Como se justifica isso?

Não devia haver video vigilância em todas as zonas de forma a evitar que esse tipo de situações acontecessem?

Por lei, não pode haver câmaras em certos sítios, responderão os entendidos. 

Se há perigo de os crimes ocorrerem, a lei tem de ser contornada.

As câmaras, podem não estar direcionadas para um plano geral, mas para uma porção que permita visualizar o que ocorre e em que condições, sem serem demasiado reveladoras.

Sinceramente, espero que o projeto de novas prisões vise uma maior liberdade de decisões comportamentais, que mostrem ao recluso o quanto é bom, viver em paz e lhe confiança para apostar numa vida diferente. 

Foi notícia, recentemente, a violência de um guarda contra um prisioneiro, tentando exemplificar como se partia um pescoço.

Foi notícia, recentemente, a forma como polícias se dirigiram a um grupo de jovens belgas.

Sabemos que a exposição constante e quase exclusiva a comportamentos anormais, acaba por vencer pelo cansaço o mais piedoso dos santos, principalmente, se acompanhado de más influências.

O apoio psicológico semanal e constante dos trabalhadores expostos a constantes pressões no meio de trabalho, em que o seu papel moderador é importante e que poderá dar lugar a abuso de poider, também seria recomendável. Porque quem está a representar a ordem, seja na lei, no ensino, etc., tem de dar o exemplo, e não o mau exemplo. Mas não é de ferro, nem pode sozinho vencer todas as agressões de que também é vítima.

A apostar na sociedade mais saudável,

Maria Sou

Tancos

por maria sou, em 02.10.17

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Tancos.

Para ser sincera, não me escandalize que material bélico possa ter desaparecido.

Escandaliza-me que se pergunte: " E o que quer que eu faça? Que o vá lá pôr?"

É a resposta de quem vive num tempo em que tudo é veladamente permitido e de tudo se sai impune. O tempo resolverá o dilema, pelo esquecimento e revolta sem panaceia.

Mais uma vez, Balzac: " As culpas coletivas a ninguém pesa."

Claro que os roubos podem acontecer. Claro que os erros de contagem podem ocorrer. Claro que ninguém está à espera que alguém vá repor o material desaparecido.

O que se espera, é que sensatamente se diga: - "De facto, há algo que está a funcionar muito mal. O que é preocupante e temos de chegar a uma conclusão."

Se houve roubo por falha dos sistemas de vigilância, por quanto tempo durou essa falha? Pouco? Então alguém aguardava convenientemente pelo momento.

Muito? Então alguém estava a par dessa falha e aproveitou-a face ao relaxe na resolução.

Não houve roubo. Na verdade o material já não existia? Então, o responsável pelo stock e sua inventariação está a trabalhar mal, é incompetente e necessita de uma reciclagem. 

A culpa só morre solteira se não a quisermos casar.

As pessoas podem dar as desculpas que quiserem. Quem sabe como se trabalha sabe como interpretar os resultados. Eu já tirei as minhas ilações.. e estou preocupada com a frivolidade de alguém que se devia mostrar preocupado em apurar as causas de certos resultados.

Maria Sou