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afterall

Festas de S. João

por maria sou, em 26.06.17

 

Estará o Santo chateado com a brincadeira?

 

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É que na verdade, fazemos uma grande festa depois de ele ter ficado sem a cabeça.

Pois é.

Desde a barriga da mãe, que anunciou a vinda daquele que um dia chegaria como o Messias, agitando-se-lhe no ventre à proximidade de Maria. Seguiu pela vida fora batizando em nome Dele e a quem pediu que o batizasse, quando por fim chegou.

Herodes, aquele que acusam de ter morto todos os primogénitos da área, (parece que foi mentira, só matou os próprios filhos e a mulher, com medo que fossem eles a matá-lo na mira do poder),prendeu S, João Baptista que anunciava a vinda de alguém mais poderoso que ele. A enteada, Salomé, furiosa por a sua afamada beleza não parecer exercer influência sobre o profeta, exigiu a cabeça deste numa bandeja em troca da dança dos véus, que o padrasto insistia que ela executasse durante uma festa. (Dança que consiste em retirar véus após véus, até à quase ou total nudez).

Relutante no início, resignado no fim uma vez que era a única maneira de conseguir ver a enteada exibir-se para seu próprio júbilo, Herodes ordenou que a vontade da jovem fosse cumprida.

Obviamente, que uma cabeça num corpo vivo é muito diferente de uma cabeça pousada numa bandeja, com olhos semiabertos e sem vida e boca contorcida pela dor que ainda reflete. Assim, a recompensa de Salomé não foi tão gratificante como julgou que seria, antes pelo contrário, foi repugnante e sem possibilidade de convencer a vítima do seu poder e da necessidade de se subjugar, já que pelos atributos físicos, não o conseguia.

Depois de um drama destes, será que o Santo vê com bons olhos a ideia do casamento?

Será que é por isso que tantos casamentos falham e os antigos "pombinhos" desatam a cortar cabeças em processos litigiosos de divórcio?

Não seria melhor arranjar outro Santo Casamenteiro? Este é capaz de estar um pouco ressabiado com as mulheres.

A festa de S. João, tão animada e divertida, carregada de alusões fálicas, (martelinho, alho porro), que terá mais a ver com o tipo de festividade pagã que celebrava o solstício de Verão, que com a celebração do santo que nem era casamenteiro mas realizava sim, batismos.

O que muita gente não sabe, é que a sua história deu origem a uma das mais belas óperas, Salomé, a 1ª que eu vi.

Desta vez, não foi a beleza da Salomé, mas da história ao redor da sua paixão pelo profeta, que me despertou a minha paixão pela ópera.

Teria por volta dos 9,10 anos e vi-a na televisão. Mais tarde, comecei a assistir ao vivo este tipo de espetáculos, o que confirmou e reforçou o meu apreço, pois ouvir uma interpretação desta força, quer a nivel de vozes quer de orquestra, é inigualável.

Espero um dia, poder rever ao vivo esta poderosa peça, com um bom elenco, excelente orquestra, apropriada sala de espetáculos, (porque o facto de um edifício ser um ex-libris da cidade ou projetado por um nome sonante da arquitetura Portuguesa, não é suficiente para fazer dele apropriado para ópera).

E aqui fica gostinho meu,

Maria Sou

Incêndios

por maria sou, em 25.06.17

Praceta Guilherme Gomes Fernandes

Pretensão e água benta cada um toma a que quer.

Se vi mais longe é porque estava sentado em ombros de Gigante

 

Apesar de tão diferentes, estes três tópicos têm uma convergência no tema que pretendo desenvolver.

Felizmente, em toda a grande desgraça que se tornou os incêndios que já ocorreram este ano, houve um ato salientado que parou a evolução que ocorria de Pedrogão Grande para os arredores, Gois e afins, referindo-me especificamente à intervenção com contra fogo por parte da Corporação de Bombeiros Espanhóis. Obrigada e bem hajam.

Achei isto muito interessante, porque já há alguns anos atrás, o pai de uma conhecida minha que tinha sido Bombeiro, comentou sobre um dos muitos fogos que ocorreram nesse Verão, que alastrara porque se cometera muitas asneiras, nomeadamente, o facto de não ter sido lançado um contra fogo para evitar que se aproximasse tanto das casas, que dessa vez, não chegaram a ser atingidas.

Eu não percebo nada de incêndios, mas percebi que o homem falava sobre algo que não fora feito, mas tinha experiência de se fazer e que ficara no saco.

Guilherme Gomes Fernandes, homenageado com uma praceta na Invicta cidade do Porto, está referenciado por ter comandado a corporação de Bombeiros, que combateu o incêndio no teatro Baquet. Não sei se é fidedigna a informação que me relataram ou se se misturam histórias, ou se se embelezou a desta figura, mas que terá também comandado a corporação portuguesa de bombeiros que saiu vencedora de um concurso internacional de meios de intervenção em incêndios. Não repitam, porque não consegui confirmar a veracidade desta segunda parte da história.

Se tal se verificar e juntando o comentário do bombeiro reformado que há muito me falou de contrafogo, coloca-se a questão: Quanto saber tem sido relegado para segundo plano e ficado esquecido?

Pretensão e água benta, cada um toma a que quer. Não podemos achar que porque aprendemos o A, sabemos ler. A juntar à teoria, há a prática e a estas duas a experiência in loco. A experiência em campo, é aquela que acaba por se valer de muito empirismo que muitas vezes funciona versus teoria e conhecimento que na prática, por vezes, ficam aquém das expectativas ou não apresentam os resultados de forma tão imediata como se pretendia.

Como dizia Isaac Newton:Se vi mais longe foi porque estava sentado em ombros de gigante.

Não podemos ter a pretensão de que o que está para atrás é obsoleto. Muito do que está para trás, é a base do que se alcançou. Não podemos viver num eterno descobrir ou podemos redundar em descobertas que já constavam de manuais ultrapassados e que há muito se deviam ter transformado em parcelas de toda uma gama invenções absolutamente necessárias.

Num mundo que já descobriu tanto, há assim tanta coisa que possa ser dada como susceptível de arquivamento e sem utilidade no futuro? Ou colocamo-nos em risco de ao ignorar o que já se sabe, descobrirmos novas formas de dizer o mesmo?

Maria Sou

O que é bom é-o sempre, e neste caso, a música de Chuck Berry

por maria sou, em 21.06.17

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Ou vejamos o exemplo de Chuck Berry, com "Sweet Little Sixteen" e "Johnny B Goode"

Dos inícios do Rock n Roll? 1956,então?

Hoje continuam a ouvir-se, não tanto pelas próprias vozes, mas pelas vozes mais recentes, com maiores ou menores alterações melódicas e harmónicas, mas essencialmente, as mesmas músicas que fizeram os nossos pais serem o escândalo das gerações que os precediam e os apontavam como a causa de "o mundo estar perdido".

E como o que é realmente bom e não apenas uma moda, é sempre bom, um novo álbum de Chuck Berry vai ser editado e aposto que vendido assim que as distribuidoras os coloquem nas lojas.

A iniciativa é excelente e espero que se repita para muitos outros grandes nomes da música.

Já a nível da cinemateca, se têm feito excelentes lançamentos, quer de filmes conhecidos e grandes produções, (espero um dia poder adquirir o Reds com Jack Nicholson) , como a nível de colectâneas atribuídas a grandes realizadores da indústria cinematográfica, como Alfred Hitchcok, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola (com o padrinho, embora nunca tenha percebido porque é que os seus filhos direcionados à "juventude inquieta", pareçam ter caído no esquecimento e que lançaram um ainda muito jovem,na aluta, Matt Dillon);e  bem como, coletâneas direcionadas para atores que se destacaram na sua carreira, como Robert de Niro.

Na pintura também. E na literatura.

Ópera e música clássica, nem tanto. Pena! Mas hão-de lá chegar.

Enfim, as artes a destacarem-se pela positiva.

 

Maria Sou

Em resposta ás críticas a Judite de Sousa e sua reportagem junto a corpo de mulher carbonizado

por maria sou, em 20.06.17

Infelizmente, de toda a notícia, resta um facto difícil de aceitar, alguém morreu num incêndio
As notícias são cada vez mais sensacionalistas.

Quem aceita as condições, avança, quem não aceita, fica para trás.
A verdade é que na base desta resposta revoltada à reportagem, está a ,manifestação do cansaço que começamos a acusar pelo desrespeito que cria "self made men" e "self made women".
A verdade, é que estamos a ficar cansados de que ou vale tudo, ou não vales nada.
Não culpemos ninguém em particular, porque tem de ceder ás exigências do mercado se quer manter o emprego. Culpemos o sistema que diz: "Vai. Não importa mais nada. Faz notícia. Serve-te de tudo e de todos para nos dar audiências ou justificar o nosso sucesso, se te queres manter na linha da frente".
E para isso, nem sequer dão tempo para que chore o seu filho.
Quem tem para além dos dias de luto para chorar a morte de um filho?
A verdade é essa.
Estamos cansados de já não termos direito de dizer, eu estou triste, eu estou a sofrer, eu estou a chorar e a sangrar.
Depois de uma palmadinha nas costas, todos querem é que avancemos e não chateemos muito.
Judite de Sousa se for condenada por este de tipo protagonismo, será apenas uma testa de ferro para a ambição desmesurada e desrespeitosa de toda uma cadeia televisiva e noticiosa, sedenta de audiências e sensacionalismo.
Alguns, têm coragem de dizer menos é mais e pagar na vida por essa decisão. Outros, já perderam a noção do certo e do errado e julgam que heróis e parvos são sinónimos uns dos outros.
Não ceder á ostentação e ao despotismo inconsequente e psicótico, é um ato de heroísmo que se paga caro, não com a vida, mas no modo como se a vai viver a partir daí.
Se a minha dor foi ignorada e criticada, se calhar, o certo é fazê-lo também com a dor dos outros. Se calhar, até vou passar a achar natural. Ou, pelo contrário, sentir-me-ei mais próxima da tragédia e até nem me custa tanto ali estar, porque partilho de alguma cumplicidade para com a vítima?
E os valores se perdem em dores dissolvidas em  exigências sem complacência.
Os tempos mudaram, mas não deixem que a clareza de análise se perca, fazendo o peão pagar pelo xeque maque no final do jogo.

Como é muito habitual dizer-se:"Por favor, não matem o mensageiro!"
Maria Sou

Momentos de parar

por maria sou, em 18.06.17

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Para sermos solidários com os momentos terrificos de uma realidade nacional.

Nestes momentos, a nossa impotência e incredulidade deixa-nos uma pequena margem de ação, restando-nos desejar que tudo se resolva com a máxima brevidade.

Muita sorte Pedrógão Grande

 

Maria Sou

After death. Now what?

por maria sou, em 15.06.17

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And suddenly, without announcement, that person was gone. The person I had shared great days and years of my life with.

Suddenly, the emptiness, the sadness, the destiny betrayal, took the place of what seemed to be certain and permanent.

Time, breathing, and plans are suspended until further solution, if it is possible to exist.

 Moving on, keep living, are the words of the day. Honestely, is more like...suck it up.

Somedays dispite the sorrow, the life goes on. But when those particular moments we used to share with that person and count on its particular suport and inconditional love, knock at the door, the pain and the "saudade" are as strong as ever.

And the loneliness caused by your absence  is like an open wound that doesn´t closes and bleeds from time to time. No one can take your place on those moments or make the memory of you go away.

How do those feelings can be so strong after all this time? This sorrow stops my normal day and make me go back to moments I can´t live again. I question all my life since you died. Did I live since you died or I just pretended to? Because when Í miss you, I feel that your death is the only thing i really care about.

 

One day I asked myself this question when I was feeling really deep your absence:" And if there´s a life after death?- and continued inquiring and exploring the idea - Maybe when I have this strong feelings after all this years like if everything had just happened a few days ago, I am just feeling your presence close to me. Your affection."

"If it is that so, I don´t want you to see me always sad and complaining. I want you to see me happy and enjoying your company. And most of all, I want you to be happy wherever you are and not to be concerned about my well being. We used to cheer up each other, not hold each other wings. And that´s the way I want things to continue to be."

 

Since I had this perception that I got you back in my life, and at the same time you can count on me in yours, because everytime I have strong sad feelings about missing you, i speak to you mentally: "There you are, gossiping my life. I can feel you. Thank you for being here and never forget about me. Don´t worry. It will pass and I´ll have better days again. That´s life! I keep missing you everyday, but I want you to know, that I want that you follow your life and be happy too. One day we will change notes again. Don´t worry about me, because I don´t want to feel that I have to be worried about you. I want you to know that I love you a lot, and I want you to run after your happiness and fulfillment. I will always be here for you everytime you need".

You are back in my life again.

When I feel you and I remmember a particular moment we had, I talk to you about it as if you were here: "Sorry for that... Thank you for... I´m not angry about... I felt so happy when...Don´t worry..."

Today, the world is not a place where I  can´t find a person with a meaning in my life anymore, because some how I rescued you.

I managed to bring back my piece of mind and patience in my heart, because you are here with me and I´m here for you.

Some how it works, like if you just have moved to another city, State or Country but we continue to communicate.

Maybe I´m silly, maybe I´m right. If there´s nothing on the the other side, everything is over to the other person. No regrets, no pain, no words unspoken. If there´s life on the other side, you always know how well I wish you while missing you, because I will tell you everyday.

See you, love you, and can´t live without you.

As Elvy´s sang: "You are always on my mind".

 

Comovida com uma história de perda,

Maria Sou

 

A incerteza da certeza

por maria sou, em 12.06.17

Porque andei perdida

Seguindo por passos meus

Buscando o sentido da vida

Ignorando caminhos teus.

 

Caminhei na escuridão

Tropeçando ao redor

Segurei-me à tua mão

Vi a luz do teu amor.

 

A mão que procurava

E pensei que ma negavas

Era eu que a ignorava

E tu nunca a retiravas

 

Esperaste que a visse

Na tortuosa caminhada

Esperaste que ouvisse

A voz da tua chamada

 

Da escuridão fez-se luz

Da dor, se fez alegria

Na vontade com que pus

Em tua mão, a minha vida.

A crise do povo II

por maria sou, em 12.06.17

Da história fica o futuro

Nestes tempos de abundância

Que o passado passa incólume

Futuro, sem confiança

 

Escreve a história o Zé ninguém

Com a sua magra poupança

Sustenta os filhos de outrém

Perdidos, sem esperança

 

Filhos que o corpo não gerou

Mas que lhes levam o que têm

Filhos que nunca educou

Que na míngua aos pais vêm.

 

Com histórias sem história

Com voltas de atordoar

Quase vitimas sem memória

Do que os fez enganar.

 

Filhos sem limites nem regra

Que buscam mundos sem freios

Há muito sem pés na Terra

Na Terra buscam os meios.

A crise do povo I

por maria sou, em 12.06.17

 

 

 

 

Verdade vem ao jornal

E eu vou ter de decifrar

O que por baixo de tal

verdade tem p´ra contar

 

No relógio a realidade

Não me posso atrasar

Para pagar a verdade

Tenho de ir trabalhar

 

Zé pagode, Zé ninguém

Ou até a praça pública

São os nomes para quem

Paga a conta da penúria.

 

Grandioso iceberg

No seu esplendor gélido

Se derrete o que se ergue

Deixa atrás um lodo fétido.

 

Zé ninguém, pega na pá

Entras, por fim, na ação

Limpa a ignomínia vã

Que é em nome da nação.

Porto de Portugal

por maria sou, em 11.06.17

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Porto em mim

 

 

Ah Porto, Porto

De recuadas varandas

Plantas nas balaustradas

A saudarem engalanadas

oh turba, que em baixo andas.

Arcos de berço

Pisos coríntios, dóricos e jónicos

Edifícios Renascentistas,Românicos e

Góticos

Cafés há muito ultrapassados,

Mas porque nunca igualados,

Se renovam, sem fechar.

É o gosto de passar,

Nessas ruas centenárias,

Ver o reboliço que corre,

Desde que o Sol se levante

Até que ao mar retorne.

Tem alma a tua baixa,

São íngremes as tuas ruas,

É a história que encaixa,

Na minha história, as suas.

E o rio, serpenteando

Entre rochas, corta frio

À ribeira vem colher,

No sítio que o viu nascer,

Menino que salta ao rio.

De interiores escavados,

Para gostos mais requintados,

Nasce o Porto sem morrer,

Para quem o quiser ver.

É o tempo de mudar,

Com jeitinho sem magoar

As memórias que de outrora

São a raiz da cidade,

A obra, magnanimidade,

Do que foi e que ainda é agora.

 

Maria Sou