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afterall

Em casa dos pais e gostam

por maria sou, em 06.04.17

Obviamente.

Quem quer enveredar pela independência, com base num emprego inseguro, com base nos conhecimentos adquiridos num curso que se escolheu porque não deu para entrar na faculdade que realmente se pretendia?

Quem se quer lançar do ninho onde se e' alimentado, aconchegado e amado, para um mundo de competitividade, exibicionista, de aparências, no qual a amizade dura o tempo de uma actividade em comum e os valores que nos foram ensinados não têm qualquer valor, por vezes, até nos prejudicam. Sim, porque hoje em dia, ser educado, amoroso, atencioso, prestável, etc. , e' sinônimo do neologismo, LOL. ( em português já se tornou uma palavra e não um anagrama)

Sair de casa, e' buscar uma vida própria que se pode sustentar. Não se sai, para viver em dificuldades..

Quem sai para passear numa via esburacada? Quem sai quer uma paisagem agradável com condições para ser percorrida. Tem de caminhar, vai acabar cansado, mas satisfeito e não zangado, esmurrado e dorido.

Com e' que os jovens vão sair de casa se a primeira lição que aprendem e' a ter medo. Medo de não terem a certeza de gostarem do que fazem, logo,, se serão bons a desempenhar funções. Medo de que o curso que frequentam não tenha saidas profissionais. Medo de arranjarem emprego e ficarem desempregados. Medo de ver os anos a passar e de um dia acordarem velhos demais para que nada ainda tenha acontecido nas suas vidas e a mãe ainda bata do outro lado da porta do quarto a chamá-los para que se levantem.

Não e'. Geração criança. E' a geração MEDO e DESILUSÃO.

Maria Sou

Meu querido Porto

por maria sou, em 03.04.17

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Meu querido Porto, já não e meu.

Reconheço-o e gosto de o rever no seu âmago, percorrer-lhe as entranhas, sempre que posso, mas já não encontro os laços.

Agora, entre as paredes que me são familiares, dos prédios.a renascerem, nesta recente busca do turismo, encontro mais memorias que interesses.

A loja da calça rasgada da moda, já não me atrai. Já encontrei o meu gosto próprio e até já perdi algum gosto e estou mais casual.

Mas, quando vou ao Porto, mais propriamente, `a baixa, revivo cá dentro um pouco do espírito que então nos imbuía.

Ir `a baixa, significava, ir com os pais ou só com a mãe, fazer as compras principais para a estação que se seguia. Sapatos, roupa, livros escolares. Parar num café a meio da manhã ou da tarde a beber um refrigerante e a comer um pastel. Cumprimentar o Sr. A da loja B, do qual éramos conhecidos desde sempre e até já conhecia os nossos gostos.

E os locais de peregrinação foram sendo preteridos uns aos outros, conforme as lojas com que me identificava iam desaparecendo.

Restou um armazém nos Lóios, onde a minha mãe comprava para mim e para a minha irmã, sobretudo roupa interior. Raramente lá ia, mas foi a última a desaparecer e tornara-se por isso, o mais recente ponto de visita ao passado. Aquela visita que nos faz reviver boas sensações e por momentos, recordamo-nos de nós mesmos e das bênçãos nas nossas vidas

Com o desaparecimento deste último establecimento, tal como o conheci, morre o Porto da minha infância.

Também íamos ao cinema: Trindade, Passos Manuel, Rivoli, Estúdio, Júlio Dinis, estes dois já em Costa Cabral, a ver Walt Disney, Gendarme, Os malucos, My fair Lady, musica no coração, etc. , etc., etc.

Ir `a baixa, era sinal de dia alegre em família.

Por isso, e' que o Porto que se reinventou em jovialidade e esplanadas, línguas de todas as partes e gentes de todas as nacionalidades, e' também um Porto de alegre saudade e memórias.

A amar o Porto

Maria Sou