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afterall

Na boca dos outros

por maria sou, em 22.12.16

Ama tudo o que tem, porque nada lhe caiu do céu. E aqueles que se fizeram sobre a sorte, que não que ousem agora cantar vitorias sobre as suas conquistas, já que deles nem reconhecimento teve.

Se era azul, devia ser vermelho como os demais. Se era redondo, não era o redondo ideal, se achatado, sem serventia. Devia ser esguio e alto, como todas as outras garrafas, mas tinha nascido um prato!

Não faz mal!

Custou a perceber, mas os caminhos também se percorrem sozinhos.

Por vezes, tem de se deixar para trás os elementos básicos de uma bagagem e com dor mas confiança, perseguir os sonhos e sobretudo a sanidade que a loucos incomoda e dizem que e' originalidade. Mania que e' bom!

Se falam longe de ti, ou estão a mentir ou a fazer intriga! Foi sempre o seu lema.

Dizem-se mas não se comprovam.

Serão ou achar-se-ao?

E o prato fica de lado sem serventia entre garrafas.

Rebobinar. Descobrir onde pensando que fazendo parte do todo, se e' preparado para ser detrito. Matéria residual. Porque e' fino, porque e' fraco ou porque e' feio.

A peça segue e o caco fica. Mas o caco pode sempre associar-se a outras matérias e fazer de si, um material belo e útil. Nessa altura, ninguém diga:" era material nosso", porque o tempo passou, a vida seguiu e o caco não quer perder mais um minuto com promessas do que pode vir a ser, porque já e'. Se mais ninguém apostou, apostou o caco, tardiamente, sofrido e desiludido. Mas não podia esperar mais, ou acabaria apenas por ter sido o que diziam que era, e não o que era capaz de ser.

E a garrafa em toda a sua pujança verte o liquido transparente, de cor suave e de odor frutado para o copo.

O copo... esse parente afastado, também de qualidade, mas não tão elevada como a da garrafa. Porque a garrafa e' mais alta, tem mais capacidade, mais matéria prima, enfim, mais. A palavra diz tudo. Por isso, define-se a ela própria, como superior.

Eis senão quando, no gargalo oscila em dediquilibrio uma gota do líquido que comporta e que ameaça escorrer pelo corpo esguio abaixo da garrafa e manchar a toalha que num ataque de pânico ameaça atirar-se ao chão se necessário para salvar o branco integro do pano adamascado, que aquela abjecta criatura ameaça profanar, sem noção da superior qualidade do material que está em risco de danificar.

O prato e' trazido e colocado sob a garrafa, pondo fim a tamanha agitação. Nem a garrafa deixa cair a gota, nem a toalha se mancha.

E `a custa do prato que um dia foi caco, a garrafa pôde continuar a subir `a mesa, em vez de ficar esquecida a um canto de uma qualquer arrecadação. Ou pior! Ficar na cozinha, para guardar o azeite puro que vinha da quinta, em garrafões.

Maria Sou

Historia de um caco

Memories of myPet

por maria sou, em 08.12.16

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Já andava com ideias de ter um animal de estimação. Um cão.

Um dia, numa loja de animais, vai a foto de uma poodle beje e ar arisco.

Pensei de imediato:"Esta e' minha" . Até porque só queria um animal que fosse abandonado.

Lã veio a boneca apresentar-se a minha casa. Como demorassem, fui `a janela impaciente, pois passava da hora combinada, no exacto momento em que chegavam as 3. A dona, a amiga da dona e a boneca.

De cabeça bem levantada e passo delicado, a boneca parecia seguir a conversa das duas jovens como se a qualquer momento fosse intervir.

Entraram, sentaram-se. A boneca de olhos fixos na dona, feliz por estar com ela a passear.

A dona, passou a explicar o motivo de estar a dar a cadela:O pai não gostava de cães em casa (red flag - ao fim de cinco anos de a terem. Depois d infância, a pior fase de um animal?! Coloquei as primeiras reticências entre o que se dizia e o que me parecia ouvir)

A amiga pensou ficar com ela, mas o pai também não queria animais em casa.

Foi então que a boneca passou de viver no conforto de um lar, no seio de uma família, para passar a viver presa pela trela a uns móveis velhos, nas "lojas" inacabadas da casa de uma amiga, onde apanhava frio e chuva. Os donoa da casa, alimentavam-na aproximando o prato da comida com um pau, com medo, porque a boneca não os conhecia, e por isso, ferrava

A amiga acenava com a cabeça, incrédula, como quem diz, que a historia.tinha outras nuances. Eu fazia acariciava `a bichinha, caricias ela recebia com agrado, mas sempre atenta `a dona, numa adoração típica dos animais.

Red flag. Tive a certeza que as expressões do rosto da amiga, a manifestar o desprezo por todas as patrangas que ouvia, tinham fundamento. Queria um animal abandonado e está parecia reunir as condições para ser salva urgentemente.

No meu íntimo, sentia que a historia não estava bem contada e a atitude da amiga, corroborava a minha linha de raciocínio.

Como e' que alguém que gosta tanto de um animal e tem de o ter longe de si, só o vai ver de vez em quando? A passear, nem pensar, cheia de pó de cimento?

Cheios de pena do dedtino da cadelita, os amigos da dona, insistiam para que a desse, colocando um anúncio na internet ou afim. Até que a dona relutantemente cedeu.

Já não tinha dúvidas. Aquele animal, precisava de ser libertado do jugo egoísta da dona, que até gostaria dela, mas primeiro estavam os seus interesses.

- Eu fico com ela. - disse eu oor fim. E prevenindo qualquer indecisão da dona inconstante que raramente visitava o cão que teve de deixar preso numa casa estranha e no dia em que lhe arranjou novo lar, atrasou-se ao encontro, porque quis passear com ela, adverti - Mas se eu ficar com ela, ela já não sai daqui. - Mas não quer que eu a lave? Está muito suja. E como não a conhece, pode ferrar. - Não. E' um risco que tenho de correr, se vai ser minha.

Pouco convencida saiu, sem perder muito tempo a despedir-se da boneca que a viu partir na expectativa de que a dona a chamasse e tudo não passasse de uma brincadeira.

Mas não. Não era brincadeira. A trela estava bem segura minha mão e eu já a tinha como minha, para lhe dar outra vida. Paciência, teria de ultrapassar aquela primeira desilusão. Da antiga dona, só uma futura visita "para ver como ela estava", que eu autorizei que fizesse a seu pedido.

A boneca aninhou-se pelos cantos. Deixei-a estar. Ao passar, fazia-lhe uma festa e dirigia-lheumas palavras. Ao fim da tarde dei-lhe um banho. Deuxou-se pegar com a dúvida estampada nos olhos: "Até te ferrava, mas deixa ver no que isto vai dar".

Uma hora e estava integrada. Depois de bem seca e de cara lavada, fomos dar a volta ao quarteirao, para que se aliviasse antes do jantar. Enquanto o jantar não estava pronto, assistiu comigo e com o namorado que tinha na altura, ao fim do fillme, já no nosso meio, no sofá. Jantamos e fomos passear `a beira mar.

No fim desse dia, a boneca, já atendia pelo novo nome "Dada" (por ter sido dada) ou Dadinha, e era parte integrante da casa. Dormiu aos pés vida cama, porque não consegui que ficasse no chão, nem estive para perder o sono a faze-lo. Afinal, já sofrera que chegasse e era tão pouco o tempo em casa, niscdias de trabalho...

No frio, fazíamos conchinha.

E passado uns meses, lá aparece a antiga dona, como prometido e com a assiduidade com que devia visitar a cadela quando a deixou no terreno da amiga, a saber do estado da princesa.

A bichinha recinheceu-a. Saltou de alegria, abanou a cauda de felicidade, recebeu as festas e foi com tristeza que mais uma vez viu a dona partir sem ela.

Peguei nela, dei-lhe beijos, deitei-a no sofá `a minha beira a ver televisão enquanto lhe fazia festinhas. Passou.

A passear, porque a Dadinha ia comigo par todo o lado, voltamos a encontrar a antiga dona e o seu grupo de amigas. Todas se alegraram ao ver o animal. Acariciaram-na com efusividade e lamentaram tudo pelo que ela tinha passado, com um sinal de cabeça acusador, para a antiga dona. E não foi com bons olhos que viram a alegria com que a Dadinha saltou ao reconhecer a antiga dona, que a acariciou com pouca emoção... e eu também não, confesso. Mas foi como se algum alarme tocasse dentro dela. Tão depressa saltou para a antiga dona ao reconhecê-la, como literalmente parou, e veio a correr para mim com a mesma alegria e já não saiu de ao pé de mim.

Perante esta reacção, as amigas libertaram um ah! de contentamento... E eu fiquei toda babada.

E a vida continuou. A Dada a minha grande amiga oficial, comigo para todo o lado. Esperava no carro, danada, quando tinha de ser. Assim que saía do trabalho, era a primeira coisa que fazia. Ir buscar ou passear a Dadinha. Todos a conheciam nas redondezas e a acarinhavam por ser simpática e meiguita.

Não gostava do banho, mas gostava de me dar uma mordidita, para ressalvar o desagrado. Um dia, peguei-lhe na orelha e dei-lhe também uma mordidita. -" Gostas? A dona também não." Problema resolvido. Mordet não parecia ser uma boa opção.

Raramente não aguentou e fez as necessidades em casa.

Recordo uma vez em particular, estava eu ao computador quando ela me veio esgravatar nas pernas. Comi costumava fazer isso, sempre que o tempo sem receber atenção ultrapassava os limites, não valorizei. - tem paciência. A dona já vai."

Desapareceu.. estranho! Porque inicialmente seguia-me para todo o lado. Podia adormecer aos meus pés e seguir-me com as orelhas a arrastar no chão, com o sono, mas nunca me perdia de vista. Voltou macambuzia, passado uns minutos. Também eu me ergui, para ir `a casa-de-banho, e percebi pelo seu passo rasteiro, que fizera asneira. E que asneira!

Para não fazer no chão, fez na banheira.

Dadinha! E parecia nos desenhos animados. A pata suspensa, o ultimo passo por terminar, parada `a entrada da porta, rasteirinha e de orelha murcha, na expectativa do desfecho.

Eu acho que os animais percebem muito mais do que o que julgamos, senão, como se explica a alegria que manifestou com o que se seguiu: - sabes que mais? A culpa foi da dona que não te ligou. Ta-tau na dona. - e fiz de conta que me dava umas palmadas no traseiro, como fazia com ela quando fazia asneiras.

Vendo isto, a sacripantas, abanou a cauda todos contente.

Como a seguir a um coco, sabe bem fazer xi-xi e isso, ainda não tinha feito, fomos `a rua.

Os poodles são cães de caça de aves aquáticas. A minha tinha o instinto todo. Corria com uma velocidade insuspeitada. Parecia que baixzva a suspensão e rasteira disparava atrás dos carros. Por isso, às vezes, nas ruas calmas entre as vivendas, `a noite, sem ninguém a ver, encetava uma corrida com ela, de uma ponta d rua `a outra.

Outra das manifestações do instinto, era o atirar-se `a agua, Em tanques, lagos públicos, principalmente sr tivessrm patos, enfim. As situações mais sórdidas que acabaram muitas vezes comigo a ter de entrar na água para a tirar, entre risos meus e de quem via. Não sei porquê, ela saía sempre com ar de missão cumprida.

Por sorte, ou a tal capacidade de entender mais do que julgamos, nunca atacou outros animais, embora o instinto de os perseguir fosse obvio. Bastava eu dizer: - Ah! E' amiguinho! - e a magia estava feita. Nem eu sei o que me levjou a dizer isto. Mas funcionou.

Também não suportava ver-me entrar na água. Barafustava e batia com as patas no chão. Eu mergulhava e quando emergia, já ela nadava na minha direção.

Como sofria de ansiedade, quando ficava sozinha em casa, tendia a destruir revistas e almofadas. Quando chegava a casa parecia que tinha nevado, com tanta pena e espuma espalhada pela sala. Abria o forno, tirava as trempes, para se esconder dentro. Espalhava o lixo, se esquecia de o levar para despejar. Comecri a guardar um resto de jantar para a deixar comer enquanto saía. De início, assim que me sentia a sair, ia para a porta e não tocava em mais nada, depois, começou a funcionar e acalmou.<p>

E os anos foram passando e a Dafinha era uma extensao de mim. Todoa o sabiam. Nas lojas, esperava `a porta, nas saidas `a noite, cinema, bares, discotecas, concertos, bailados e operas, esperava no carro. De dia, esplanadas. Dadinha no chao ou ao colo.

E chegamoa ao terceiro encontro com a antiga dona.

Um sábado, aparece de surpresa com o namorado e comunica (depois de se espantar com o lindo pelo da cadela, bem lavado, com amaciador e bem escovado), que já está a viver em casa própria e que se eu quiser, lhe posso devolver a cadela.

A situação era tão ridícula que já nem aprlava a lições de moral. Como contra factos não há argumentos, desafiei:, até porque percebi que o namorado fora colhido de surpresa e não tinha qualquer vontade de levar um cão para casa.: - Fazemos assim, ;ela decide. Chama-a. Se ela quiser ir, eu deixo-a ir, mas traz-ma se achar que afinal não bá quer. Se ela quiser ficar, não volta cá mais, porque não e' bom para a estabilidade dela estar sempre a lembrsr-se pelo que passou.

Chamou-a e a Dada toda contente, seguiu-os até `a porta, MSS daí não fez qualquer menção de passar. Não heditou. E levou um grande abraço e um grande beijo assim que fechei porta, sincersmente comovida pelo reconhecimento da minha dedicação e da minha amizade.

Muitas voltas deu a vida, mas nós sempre juntas ate que a Dadinha foi vencida pelo cancro da mama.

Debsteu-se apesar da farta hemorragia no tumor, contra a injeção que a alivisriz de vez do sofrimento, e os veterinários já desespetavam, quando eu menti fazendi-lhe uma festa no focinho: - Deixa, Dadinha! Para irmos `a rua.

Parou de imediato de olhos fixos nos meus. Um segundo e tudo terminou. Nunca pensei que fosse tão rapido e pacífico. Ainda bem que menti. Foi em paz, a acreditar que não acabava ali.

Como as coincidências não acontecem só nas telenovelas, encontrei passados uns dias a amiga da antiga dona que afinal habitava num prédio a um quarteirão do meu, embora a antiga dona morasse na cidade ao lado.

Perguntou-me pela bichinha, suspeitando da resposta, pois eu andava sempre com ela, e contou-me o que na verdade acontecera.

A antiga dona, quando não quis a cadela, prendeu-a num terreno particular, vazio, perto de casa. Mesmo assim, poucas vezes a visitava e chegaram a encontrá-la quase esganada pela trela de uma vez e sem água de outras.

Por isso, e'.que todos tinham tanta pena do animal e pefiam que o desse.

A amiga contou-me tudo enquanto passeava o seu poodle beje. Acrescentou: o meu pai não quis ficar com ela porque não quero animais em casa. Agora que casei e tenho o meu apartamento ao lado do deles, arranjei este cão. Desde que o meu pai ficou doente e se reformou, e' a companhia dele e não passa um dia sem ele.

Despedi-me feliz, por ter feito a diferença na vida de um ser com uma historia tão triste e que se tornou um grande e fiel amigo

. Com saudades do meu per

Maria Sou

Juan Miró, Alguma da sua obra em Serralves, Porto, Portugal

por maria sou, em 07.12.16

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natal

por maria sou, em 04.12.16

Hoje, dia de descanso, imbuída do espírito natalício que já se sente (supermercados.a abarrotar,;carrinhos de compras cheios, filas junto `as mesas dos embrulhos, trânsito interrompido `a entrada para os shoppings, enfim, a sintomatologia habitual), resolvi montar a árvore de Natal.!

Coloquei as luzes e depois toda a decoração de forma a que não tapasse o brilho da iluminação.

Aos pés, o presépio, os reis magos a chegar e algum gado adquirido noToys r US na prateleira com outros animais e alguns dinossauros.

Fiquei a olhar para o pai Natal branquinho e dourado de louça barata, mas tão bonito, só que não fazia sentido naquele cenário, bem como os pequenos presentes simbólicos nos mesmos tons.

Mesmo assim, coloquei-o do outro lado da árvore, afastado do presépio e toda a sua conotação.

Voltei a retirá-lo, quase de imediato. Dominava a cena. Mais contemporâneo, apelava `a festividade, `as compras dos presentes.

Retirei-o.

Sob o pinheiro, deixei só a mensagem de amor para com os outros, como Cristo que nasceu por amor de nós.

Por esta época, a harmonia era quase tangível. Os sorrisos eram maiores, a tolerância e a cordialidade subiam exponencialmente. Qual seria o segredo?

Seria porque íamos receber presentes ou porque sabíamos que se aproximavam os dias em que se juntavam pais, filhos, tios, primos, irmaos, tudo, para celebrar.?

As mães preparavam entre si a refeição, os doces e as mesas e os pais iam comprar o bolo rei, na confeitaria que tinha fama de vender o melhor bolo rei. Iam para a fila.

Tudo fechava. Ficava-se fechado em familia e em partilha. Partilha de conversas, brincadeiras, presentes e doçaria.

No correr dos últimos dias, horas e minutos que antecediam a ceia, amigos, vizinhos e até estranhos trocavam um sorridente "boas festas".;

O mundo mudava

E foi esse momento que preferi deixar dominar o meu enquadramento natalício.

O momento, em que basta a vontade de um, para que todos partilhem da mesma boa vontade.

Maria Sou